Segunda Guerra Mundial

Educação e Pedagogia

18/06/2017

Segunda Guerra Mundial

Bibliografia: LOWE, Norman. História do mundo contemporâneo/Norman Lowe; tradução: Roberto Cataldo Costa; revisão técnica: Paulo Augusto Visentini. – 4. Ed. – Porto Alegre: Penso, 2011. p. 105 – 137.   COGGIOLA, Osvaldo, A Segunda Guerra Mundial, Causas, Estrutura, Consequências.

Introdução: Este trabalho tem por objetivo abordar e comparar três tópicos referentes à Segunda Guerra Mundial, do livro de Norman Lowe e do trabalho de Osvaldo Coggiola, abordando suas semelhanças e ou diferenças quanto à abordagem. Os tópicos escolhidos foram: Holocausto, Invasão da Rússia e a Derrota das forças do Eixo, especificamente, a Rendição do Japão em razão da detonação das duas bombas atômicas. Na segunda parte do trabalho uma análise comparativa dos filmes Pearl Harbor e Cartas de Iwo Gima, interpretando suas visões de cada lado do conflito entre Japão e Estados Unidos da América.

 

Segunda Guerra Mundial

Segunda Guerra Mundial: “As sociedades ainda estão sob o choque de um conflito que as feriu profundamente. Sem dúvida, o ressentimento das nações se explica pela violência dos combates, pela vastidão dos dramas humanos, pela multiplicidade dos crimes cometidos.” (FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. São Paulo, Ática, 1995. p. 31.).

Ao abordar os textos de Norman Lowe e Osvaldo Coggiola, destaquei três pontos que são: Holocausto, a Rússia em Guerra e a Rendição do Japão e o uso de armas nucleares.

Holocausto: Nossa relação com o passado se dá de diferentes formas e a partir da interpretação das experiências vividas, o homem passa a ditar determinadas ações de sua vida cotidiana. Geralmente, as experiências ruins são respondidas com ações e ideias que evitam a repetição de um mesmo infortúnio. Um claro caso desse tipo de relação do passado pode ser notado quando fazemos menção ao Holocausto. Este foi uma pratica de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante os anos do governo nazista de Adolf Hitler. Conforme a ideologia nazista, a Alemanha deveria superar todos os entraves que impediam a formação de uma nação composta de seres superiores. Segundo essa mesma ideia, o povo legitimamente alemão era descendente dos arianos, um antigo povo que, segundo os etnólogos europeus do século XIX, tinham pele branca e deram origem a civilização europeia. Para que a supremacia da raça ariana fosse conquista pelo povo alemão o governo nazista passou a pregar o ódio contra aqueles que impediam a pureza racial. Eram considerados os maiores culpados desse processo de eugenia étnica de judeus e ciganos, mas principalmente os judeus. Outros grupos sociais também foram perseguidos pelo regime nazista, homossexuais, opositores políticos de Hitler, doentes mentais, pacifistas, eslavos e alguns grupos religiosos. Podemos evidenciar que o holocausto estendeu suas forças sobre todos aqueles grupos étnicos, sociais e religiosos que eram considerados uma ameaça ao governo nazista.

Após esta breve exposição do que foi o holocausto, me fixarei mais no povo judeu. Os autores estudados tem quase a mesma linha de pensamentos, pois abordam os dois seguimentos que se referem às interpretações do holocausto. A primeira que é a dos Intencionalistas, que acreditavam que a responsabilidade pelo holocausto foi de Hitler, que esperava exterminar os judeus desde que chegou ao poder. A segunda é a dos Funcionalistas, que acreditavam que a “solução final”, foi de certa forçada sobre Hitler pelas circunstâncias. Mas ambos os autores tendem a apoiar a ideia de que as interpretações somadas correspondem ao tratamento dispensado aos judeus. “Foi a conveniência entre o preconceito antijudaico inflexível de Hitler e sua auto justificativa junto com a oportunidade de ação, que culminaram na terrível “batalha apocalíptica entre ‘arianos’ e ‘judeus’”. (Lowe, p. 129). Foi necessária uma impulsão perfeitamente política e ideológica, impulsionada e organizada desde o próprio centro do poder  nazista (o próprio Hitler), com seus constantes ataques retóricos antissemitas, que tinham a função de pontapé inicial e de criação de uma mentalidade genocida posta em prática através de níveis sucessivos e superpostos implicando milhares e milhares de pessoas, desde os primeiros escalões até os últimos executores e vigilantes dos campos de concentração ou de extermínio.

É também abordado pelos autores, que antes da “solução final” foi idealizado pelo governo nazista o envio do maior número possível de judeus para a ilha de Madagascar. Mas com o passar da guerra e conforme o exército alemão invade a Polônia e grandes extensões da Rússia, fez com que muito mais judeus passaram ao controle dos alemães. É que estas regiões eram habitadas por um grande número de famílias judias, não que em outras regiões invadidas da Europa os judeus não fossem perseguidos, conforme gráfico as (folhas 65, de Segunda Guerra Mundial-Osvaldo Coggiola). A partir de 1940 começa o estabelecimento de guetos, onde os judeus eram confinados até serem enviados para campos de concentração e extermínio, sendo o mais conhecido o Gueto de Varsóvia. Com o avanço ao leste e o número maior de judeus foi implementada a “solução final” (Conferência de Wannsse (20 de janeiro de 1942), onde neste encontro ocorreu a reunião para decidir o destino dos judeus na Europa, sendo deliberado o extermínio dos judeus), onde quase seis milhões de judeus foram mortos em campos de concentração e extermínio, onde eram encaminhados a câmaras de gás, sofriam fuzilamento, inanição. O extermínio de judeus era visto como linha de montagem. Foram criados mais campos de concentração além dos já existentes, sendo os mais famosos campos Treblinka, Sobibor, Belzec e Auschiwtz. Com o fim próximo da guerra na Europa e o avanço soviético, vários campos de concentração foram libertados, pondo fim ao genocídio nazista.

Em comparação aos dois textos sobre o holocausto, observa-se que o trabalho de Osvaldo Coggiola aborda vários temas, em razão de ser um trabalho acadêmico e utilizar-se de várias fontes de pesquisa, tornado sua tese mais abrangente do que o livro de Norman Lowe. Cabe salientar ainda que Coggiola aborda os temas importantes com um viés mais socialista do que Lowe. Como exemplo: “Trotski e a IV Internacional não só alertaram para a possibilidade do Holocausto, mas também foram a única tendência política presente na Europa que chamou a lutar contra ele – isto é, não só contra o antissemitismo em geral, mas contra a perspectiva concreta do extermínio do povo judeu: o capitalismo em ascensão tinha libertado o povo judeu do gueto e feito dele um instrumento da sua expansão comercial. Agora, a sociedade capitalista em declínio se esforça para exprimir como um limão o povo judeu por todos os seus poros: vinte milhões de indivíduos para uma população mundial de dois bilhões, isto é 1%, não tem mais lugar sobre o nosso planeta, lia-se no programa fundacional da nova Internacional.” (CAGGIOLA, Osvaldo, Segunda Guerra Mundial. p. 67).

Outro ponto é que as grandes potências envolvidas no conflito como EUA, Rússia e Grã-Bretanha não manifestaram maior interesse pelo destino dos judeus. Ainda refere-se à criação do “Estado Judeu”, proposto por David-Bem-Gurion, em 1942, o qual previa o deslocamento de milhares de judeus para a Palestina. Só um aspecto Caggiola não aborda e que é abordado por Lowe, referente a participação de civis alemães e de outras nacionalidades identificadas que colaboraram por vontade própria com o genocídio.

Achei muito bom o trabalho de Caggiola referente ao Holocausto, abordando vários aspectos, fornecendo uma ampla visão dos fatos, bem superior ao proposto por Lowe.

 

O segundo tópico abordado refere-se à Invasão da Rússia pelo exército alemão, a chamada “Operação Barbarossa” e suas consequências.

Em junho de 1941, a Segunda Guerra Mundial começa a dar início a um novo rumo em sua trajetória. Lowe faz uma abordagem muito simplista deste episódio, destacando apenas os tópicos referentes aos motivos e as consequências, sem aborda-los mais profundamente. Já Caggiola realiza uma abordagem mais elaborada, dando destaque a vários pontos, em especial a “Batalha de Stalingrado”. Ao trabalhar com as informações de Caggiola é possível verificar a grande virada da Segunda Guerra Mundial em razão do desfecho das operações na frente russa.

Estamos tão acostumados a ver filmes de americanos que mostram as forças dos EUA ganhando a Segunda Guerra, que causa espanto quando se revela que o grande esforça de resistência aos nazistas foi despendido pelo povo soviético. As maiores batalhas foram decididas na famosa Frente Russa. Foi lá na URSS que a guerra mudou de fisionomia.

Os primeiros golpes da Alemanha sobre a URSS foram devastadores. Os alemães tinham a superioridade de homens e armas. Em cada local tomado, a bandeira vermelha soviética era arrancada e queimada. Milhares de aldeias e cidades foram destruídas. Leningrado (antiga São Petersburgo) foi cercada, nenhum mantimento entrava nela. Os nazistas diziam que a cidade seria destruída pela fome e pelo fogo. Em Moscou as tropas alemãs chegaram até os subúrbios. Mas desde o início da operação os soviéticos utilizavam a tática da terra arrasada, colocavam fabricas inteira dentro de vagões e levaram para leste dos montes Urais. O que não podia ser transferido era destruído. As vitórias alemãs eram complicadas, perdiam muitos homens e equipamentos. Embriagados pelo nazismo os oficiais alemães não entendiam como um povo lutasse tanto para defender o socialismo. Também menosprezaram a capacidade soviética de produzir armas. A irritação pelas dificuldades encontradas aumenta, “os soviéticos devem ser tratados como os mais repugnantes animais”. Os soviéticos resistiram em Moscou e em dezembro de 1941, a batalha termina com o bloqueio e recuo do exército alemão. Pela primeira vez não obtinham vitória. Os alemães também encontraram o inverno, mas este era igual para ambos, mas é comum se afirmar que os alemães teriam sido derrotados pelo “General Inverno”. Com isso o esforço soviético foi minimizado, por avaliações do período da Guerra Fria, numa tentativa de demonstrar que os soviéticos não eram capazes, mas se esqueceram que os alemães passaram dois verões na frente russa e não venceram.

Os alemães mudam de estratégia e ruma em direção ao Cáucaso, região riquíssima em petróleo. Depois que tomassem a região, poderiam atacar pela retaguarda uma Moscou sem combustível. O alvo imediato era a cidade de Stalingrado. Se ela caísse toda a defesa soviética estaria comprometida. Caindo a URSS, só restariam os EUA, e o império fascista estaria próximo.  Só Stalingrado estava a impedi-los desta conquista. Lá seria decidida a guerra. Lá seria decidido o futuro do mundo. Aquela cidade as margens do Rio Volga foi reduzida a escombros. Todas as forças de ataque disponíveis foram utilizadas. Mas a resistência soviética era feroz. A batalha se estendeu por meses, havia momentos em que os alemães precisavam de semanas para tomar uma rua, dias depois, os soviéticos a retomavam. Os combates de Stalingrado se desenvolveram de setembro de 1942 a fevereiro de 1943. Neste período os alemães ficaram esgotados, foi quando os soviéticos deram o golpe final, tropas preparadas na Sibéria foram colocadas nem batalha quando o inverno se aproximava, os alemães tiveram sua retaguarda cortada. O exército invasor ficou isolado e cercado. O Marechal de Campo Von Paulus rende-se ao exército soviético. O exército que se dizia invencível foi destroçado, a partir daí a guerra virou de lado. A Alemanha começou a ser derrotada. Depois dos episódios de Stalingrado, os soviéticos tomaram a iniciativa dos ataques e foram conquistando, um por um, os territórios dos países antes controlados pelos nazistas: Finlândia, Bulgária, Hungria, Romênia, Polônia e Tchecoslováquia. Mantendo esse avanço, os soviéticos foram os primeiros, no final da guerra a entrar vitoriosamente em Berlim.

O terceiro tópico a ser analisado é ao que se refere à capitulação do Japão na Segunda Guerra Mundial, com a detonação de duas bombas atômicas por parte dos Estados Unidos da América sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Os dois autores abordam este tema de forma superficial, Lowe destina poucas linhas de seu texto ao bombardeio atômico sobre o Japão. Carggiola escreve sobre pouco também sobre o final da guerra no pacifico, deixando poucas linhas sobre este terrível episódio.

O pacto anti-Komintern, a aliança japonesa com o Eixo, e depois, o pacto de não-agressão com a União Soviética, favoreceram a ação japonesa na Ásia e no Pacifico. Depois de formar em Nanquim um governo chinês favorável a si, o Japão chegou a bloquear a rota da Birmânia e a ocupar o norte da Indochina. A China de Chang Kai-Check ficou isolada e a expansão japonesa se orientou no sentido da Malásia e da Indonésia, ricas em matérias-primas. Os americanos então romperam os acordos comerciais, bloqueando o fornecimento de petróleo ao Japão, a fim de lhe debilitar a indústria e congelou seus créditos nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Índias Holandesas. Mas a tentativa americana de tirar o Japão da China fracassou. Depois do ataque as bases americanas de Pearl Harbor, a ofensiva dos japoneses generalizou-se, em três direções, Ilhas Filipinas e Índias Holandesas, o que os conduziria a fontes de matérias-primas estratégicas; para oeste, ocupando Hong Kong, Cingapura e Birmânia, em direção a Índia onde seriam bloqueados; e a leste, ocupando vasto espaço da Oceania, a ilha de Guam, Nova Guiné, ilhas Salomão e Aleutas.

A conquista não levou mais que seis meses, graças a ataques combinados e de surpresa do exército, armada e aviação. Em 1942, os japoneses controlavam 450 milhões de habitantes, 90% da produção mundial de borracha e 70% de arroz e estanho. Controlava poços de petróleo e jazidas de bauxita e cromo suficientes para suas necessidades.

Em 1942, os Estados Unidos iniciaram a contra-ofensiva. Em maio, detiveram a expansão japonesa rumo ao sul, na Batalha do Mar de Coral. Em 1943, a iniciativa passou aos americanos, liderados pelo General MacArthur, símbolo da resistência no Pacífico. Em vão a força aérea japonesa tentou destruir a frota americana. No Pacífico central, avançavam as forças do almirante Nimitz, que se juntaram as de MacArthur, em outubro de 1944. Em 1945, as tropas americanas, britânicas e chinesas reabriram a rota da Birmânia e reconquistaram também as Filipinas; destruíram três exércitos japoneses. Em 19 de fevereiro ocorre o primeiro desembarque americano em solo japonês: Iwojima.

Os americanos apertaram o cerco, bombardeando cidades industriais. Os japoneses insistiam na luta, com marinha e aviação destruídas. Os Aliados ainda sofriam perdas graças apenas aos pilotos suicidas, os kamikazes. Que se atiravam sobre navios. Os Estados Unidos pediram a rendição incondicional das forças japonesas na Declaração de Potsdam em julho de 1945, ameaçando com uma “destruição rápida e total” caso a intimação Não fosse aceita. Como não houve resposta japonesa, o Projeto Manhattan foi posto em prática. Boeing B-29 lançaram a bomba atômica de urânio Little Boy, foi lançada sobre Hiroshima em 06 de agosto de 1945, seguido por uma bomba nuclear de plutônio (Fat Man) sobre a cidade de Nagasaki em 09 de agosto. “A morte e a destruição irão não somente intimidar os japoneses sobreviventes a fazer pressão para a capitulação mas também assustar a União Soviética. Em síntese, a América poderia terminar mais rapidamente a guerra e, ao mesmo tempo, a mudar à moldar o mundo do pós-guerra”. (CAGGIOLA, Osvaldo, Segunda Guerra Mundial. p. 105). Em 02 de setembro de 1945, a bordo do encouraçado Missouri, os japoneses se renderam, e começava uma nova era: a era atômica. Mas para que isso pudesse ocorrer foram necessárias a morte de aproximadamente 160 mil civis japoneses, tempos depois outros milhares de pessoas viriam a morrer em consequência de doenças provocadas pelas radiações nucleares daquelas bombas. 

Segundo Harry Truman, presidente dos Estados Unidos na época, a bomba atômica foi utilizada para apressar a rendição japonesa. Entretanto, para muitos, o uso da bomba atômica foi um crime de guerra do governo dos Estados Unidos, destinado a intimidar o governo soviético e a marcar sua força a nova ordem internacional.

Que ultimo desfecho terrível para demarcar território e se estabelecer como maior potência mundial, tanto econômica como bélica, hás custas de milhares de vidas inocentes, mas como vencedores fiquem os louros, aos derrotados cadáveres, sofrimento de carne derretendo e pó radioativo.

Nesta segunda parte do trabalho faremos uma análise dos filmes Pearl Harbor e Cartas de Iwo Jima, buscando interpretar os fatos históricos relacionados, pois são estes fatos são de grande importância no contexto da Segunda Guerra Mundial, pois o ataque das forças japonesas a base de Pearl Harbor levou definitivamente os Estados Unidos a entrarem no conflito, não que já não estivem envolvidos no mesmo. No filme Cartas de Iwo Jima corresponde à derrocada final do exército japonês, pois a batalha para a conquista dessa ilha significa a chegada dos soldados americanos em solo japonês. Mas ao analisarmos filmes que retratam fatos históricos devemos ter o cuidado de observar que o cinema é uma indústria de entretenimento, e como tal, tem caráter comercial. “Para melhor apreciar um filme, convém lembrar que o cinema, além de indústria comercial, como as outras artes, tem sua linguagem especifica. As cenas, os enquadramentos, o roteiro, a montagem, etc., compõem um todo contando a história”. (BALDISSERA, José Alberto; BRUINELLI, Tiago de Oliveira. Tempo e magia: a história vista pelo cinema. Porto Alegre, Escritos, 2014. p. 35). Então é necessário ter conhecimento que nenhum filme retrata com total fidelidade qualquer fato histórico, pois nem a história é verdadeira. Com isso percebemos que a indústria do cinema utiliza-se de vários artifícios para “prender” o espectador, colando sempre romantismo e heroísmo em doses que propiciem uma grande aceitavam para o público alvo.

Dito isto, informo a ficha técnica dos dois filmes trabalhados:

Título Original: Pearl Harbor         Título Original: Cartas de Iwo Jima, Ano lançamento: 2001            Ano de lançamento: 2006, Produção; USA      Produção: USA, Gênero: Drama/2ª Guerra Mundial         Gênero: Drama/2ª Guerra Mundial, Direção: Michael Bay    Direção: Clint Eastwood, Roteiro: Randall Wallace  Roteiro: Iris Yamashita.

Realmente os norte-americanos não nasceram para serem vítimas. No auge da Segunda Guerra, preferiam abster-se, mas na verdade as frotas americanas abasteciam com armamentos, utensílios e alimentos as nações que compunham os aliados, enquanto que as corporações americanas lucravam muito dinheiro comercializando tanto com as potencias do Eixo como Aliados. O Japão que se encontrava em frontal oposição à Rússia, à China e a Manchúria. A Guerra do Pacífico começa como um conflito localizado, a guerra sino-japonesa, deflagrado pela invasão e ocupação japonesa da China. Após houve uma ampliação do conflito quando o Japão invade a Tailândia. 

Pode-se dividir a Guerra do Pacifico em duas etapas. A primeira entre 1937 e junho de 1942, quando o Japão se manteve na ofensiva e foi vitorioso na ocupação de grande parte do território chinês e também na destruição da frota americana em Pearl Harbor, assim como na tomada de Hong Kong e Singapura, na invasão e ocupação da Tailândia, Birmânia, Malásia, Filipinas, Nova Guiné, Índias Orientais Holandesas, Ilhas Salomão e das bases americanas de Guam e Wake. A segunda etapa teria seu início com a vitória da marinha e da aviação norte-americana na Batalha de Midway, o que impediu o desembarque das tropas japonesas no atol e resultou na destruição dos principais porta-aviões do Japão. A ofensiva passou para os aliados, que nos três anos seguintes reconquistaram todos os territórios tomados.

É neste cenário que se desenrolam a trama dos dois filmes, cada um com seu enfoque. Em Pearl Harbor, pode-se observar como em quase todos os filmes hollywoodianos baseados em eventos históricos a trama romântica, usada para destacar a grande carga melodramática, vista em quase todo o filme. Entre os atores envolvidos n o triangulo amoroso que é a chave central do filme, não há bandidos, somente mocinhos, não pode ser dito da forma que Estados Unidos e Japão são representados. Os japoneses tem sua imagem associada a assassinos sanguinários, velhos e inflexíveis, enquanto os norte-americanos, pelo contrário são associados a heróis, envoltos em gentileza, solidariedade, delicadeza e extrema amabilidade como características inerentes a sua constituição. Podemos perceber que a forma melodramática que envolve o filme em várias cenas, com a que ocorre quando o presidente vai receber a notícia sobre os dados do ataque, são de uma carga emocional muito grande, como se a perda fosse pessoal. Esse sentimentalismo em cima dessas perdas humanas seria uma das justificativas morais para a entrada dos Estados Unidos na guerra. Observa-se que foi feito um trabalho para recriar essa história e contá-la deste modo mostra um esforço para que se crie uma memória do evento que vá forçar o monumento do heroísmo e patriotismo norte-americano. Outro ponto a ser destacado neste filme é o fato de o mesmo retratar de forma mais intensa a consequente retaliação americana ao complexo industrial japonês. Mas não podemos ser críticos demais com o filme, pois como sabemos o cinema é arte e como tal, tem apelo econômico em primeiro lugar. O filme não tem a finalidade de buscar a maior aproximação dos fatos reais acontecidos quando do ataque japonês a base naval de Pearl Harbor e seus processos que conduziram àquele estado de coisas. Cabe salientar que um filme do ano de 1970, também produzido por Hollywood de nome “Tora! Tora! Tora!” trás uma carga maior de informações referentes aos fatos que ocorreram antes e durante o ataque a base de Pearl Harbor.

Com relação ao filme Cartas Iwo Jima, vemos o desenrolar da batalha pela ótica japonesa, os derrotados. As cartas encontradas em Iwo Jima em 2005 inspiraram o livro de Tsuyuko Yoshido, que narra a rotina da ilha mais trágica do Pacífico durante a Batalha de Iwo Jima, sob a ótica do tenente-general Tadamichi Kuribayashi. O diretor Clint Eastwood tornou este episódio sangrento conhecido do público ocidental.  Na trama observa-se que boa parte é dedicada a preparação do exército japonês para a defesa da ilha contra o ataque iminente. As dificuldades eram enormes, muita energia era gasta com a escavação de tuneis e o psicológico também era afetado peal pressão imposta por alguns oficiais. Soldados viviam com a falta de água e alimentos, além da enorme saudade do lar e do medo de não conseguirem voltar com vida. A três personagens principais, que contam no filme com flachbacks para mostrar onde estavam antes da guerra. As cenas de batalha transmitem toda a violência que ocorreu, inclusive os momentos intimistas como o sofrimento dos soldados japoneses e a opção de boa parte deles haraquiri (ritual suicida do guerreiro), ao invés da rendição. Um dos momentos que me chamou a atenção no filme foi a constatação da visão de uma figura meio patética que representa um soldado raso que era padeiro, o qual considera a Segunda Guerra um pesadelo sem sentido, do qual só deseja acordar e voltar à sua pacata, ao lado de sua esposa e filha recém-nascida. Acha quer o Imperador do Japão deveria entregar Iwo Jima aos americanos, sem resistência. Sua opinião não se justifica por covardia, apesar de ele não ser um exemplo de coragem física, mas por não enxergar sentido em todo aquele derramamento de sangue. Para ele, Iwo Jima é apenas um pedaço de terra estéril e mal cheirosa. Não tem a mesma compreensão de seus compatriotas de aquela ilha estéril é, apesar de do aspecto desolador, parte do território sagrado do Japão. Como filme hollywoodiano também tem suas falhas com a história, pois dá a entender que a apenas um grupo pequeno de soldados japoneses para defender a ilha e que a luta pela tomada da ilha ocorreu em pouco tempo, dando a impressão de guerra de guerrilha.

Em minha opinião após assistir aos dois filmes, acredito que Cartas de Iwo Jima, transmitem mais informações no que se refere aos fatos históricos, não é verdade absoluta, pois esta não existe, mas é o que mais se aproxima do real, dando ao espectador a opção de ter uma nova visão sobre a Guerra do Pacífico, que não àquela de americano herói e japonês assassino. O que não é o caso de Pearl Harbor, pois neste filme a trama amorosa entre os três amigos absorve a maior parte do filme e de sua fotografia. Ambos os filmes podem ser trabalhados em sala de aula, mas observando suas peculiaridades.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Wilson Brasil Júnior

por Wilson Brasil Júnior

Bacharelando em Licenciatura/História

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