Dentes Superiores: Anatomia

A anatomia dos terceiros molares superiores é bastante irregular
A anatomia dos terceiros molares superiores é bastante irregular

Odontologia

28/01/2014

Incisivos superiores

Os incisivos centrais e laterais superiores apresentam anatomia bastante simples. Os incisivos centrais superiores podem apresentar curvatura de suas raízes para a vestibular, esse fato não é detectado na radiografia ortorradial e, consequentemente, deve-se tomar radiografias em várias angulações. Esses dentes só oferecem dificuldades na localização de seus canais caso estes estejam bastante atresiados.

Os incisivos laterais superiores apresentam curvatura das raízes para a distal, geralmente apresentam-se unirradiculados, mas foram relatados casos de incisivos laterais superiores com duas raízes. Podemos citar anomalias de desenvolvimento vistas nesses dentes como Dens invaginatus, Cúspide Talão, radicular grooves (depressão radicular) e dentes com coroas cônicas.

O Dens invaginatus também é conhecido como Dens in dente, podendo ocorrer em qualquer um. Mas a sua maior incidência ocorre nos incisivos laterais superiores. Normalmente, esses dentes podem apresentar-se coniformes (peg shape).

Existem três tipos de Dens invaginatus, de acordo com a classificação de Oehler (1957):

1. Tipo I -
a invaginação do esmalte está circunscrita à área da coroa dental (não oferece dificuldade ao tratamento endodôntico, uma vez que a invaginação é pequena e está situada na coroa dental).
2. Tipo II - a invaginação do esmalte estende-se até o terço médio da raiz, terminando em um saco cego (oferece certa dificuldade ao tratamento endodôntico, uma vez que se faz necessária a remoção da invaginação do esmalte do interior do canal radicular).
3. Tipo III - a invaginação do esmalte estende-se até a região apical do dente, de modo a formar diversos forames apicais (oferece dificuldade ao tratamento endodôntico, pois deve ser complementado com retro obturação).

Outra anomalia que tanto pode ocorrer no incisivo central como no lateral superior é Dens Evaginatus ou Cúspide Talão, que consiste na evaginação da área do cíngulo desses dentes, promovendo uma cúspide extra. Esta presença da cúspide extra nos incisivos superiores pode causar problemas de estética e cárie, em virtude da dificuldade de higienização, trauma de oclusão e, ainda, irritação traumática da língua durante o ato mastigatório.

O incisivo lateral superior pode apresentar uma anomalia de difícil diagnóstico, que é a presença da depressão radicular (radicular grooves), e está na maioria das vezes presente na lingual dos incisivos laterais, na área do cíngulo, estendendo-se para a raiz, podendo parar em diferentes pontos da região radicular. A presença desta depressão radicular pode constituir em uma via de penetração de microrganismos, que alimenta de modo definitivo um problema periodontal. Um diagnóstico dessa anomalia deve ser feito precocemente, pois é importante. O paciente deve ser orientado para higienizar seus dentes de modo a evitar a instalação de uma bolsa periodontal.

Caninos superiores

Esses dentes apresentam canais com dimensões maiores no sentido vestibulolingual do que no sentido mesiodistal. Eles podem apresentar comprimento muito longo, em média 25.5 mm, variando de 20 mm até 32 mm. Os caninos apresentam curvaturas de suas raízes, que podem ser em muitos casos curvaturas bastante acentuadas.

Para detectar a direção da curvatura das raízes deve-se tirar radiografias em diferentes angulações. Se por um acaso a curvatura apical da raiz mover em direção oposta à movimentação do cone de raio-X, a curvatura estará para a vestibular, caso a curvatura mova-se na mesma direção que o cone de raio-X, a raiz apresenta curvatura para a lingual. Os caninos superiores podem apresentar Dens Invaginatus Tipo III, com tratamento por retro-obturação, e um Dens Invaginatus Tipo III em dente extraído.

Pré-molares superiores

A) Primeiro Pré-Molar Superior


Normalmente esses dentes são birradiculares, sendo uma raiz localizada na vestibular e outra na lingual. Quando esses dentes apresentam-se com raiz única, normalmente há dois canais: um na vestibular e o outro na lingual, que podem terminar em um único forame ou em dois forames distintos. Os pré-molares birradiculados podem apresentar as suas raízes terminando em uma ponta bem fina, especialmente a raiz vestibular.

B) Segundo Pré-Molar Superior


Esses dentes apresentam-se 90% das vezes com uma única raiz, mas somente poucos se apresentam com um único canal. Todas as observações que foram relatadas sobre os primeiros pré-molares superiores devem ser notadas nos segundos pré-molares superiores.

Molares superiores


A) Primeiro Molar Superior

Inúmeras observações têm demonstrado a alta incidência de dois canais na raiz mesiovestibular. O primeiro molar superior deve ser encarado como um dente que apresenta, normalmente, quatro canais, que podem estar distribuídos do seguinte modo: um canal na raiz vestibulodistal, um canal na raiz palatina e dois canais na raiz vestibulomesial.

A presença de dois canais na raiz vestibulomesial é bem alta. O canal principal dessa raiz é mais amplo que o segundo, que normalmente está localizado mais para a porção lingual da raiz vestibulomesial. A presença de um sulco no assoalho pulpar, saindo do canal principal, é um forte indicativo da presença do segundo canal nesta raiz.

B) Segundo Molar Superior

Esses dentes apresentam variação no número de raízes. Eles podem apresentar duas, três e até mesmo quatro raízes. Dens invaginatus podem ser encontrados nos segundos molares superiores (Costa et al., 1990).

C) Terceiros Molares Superiores

A sua anatomia é bastante irregular. Podem apresentar-se como um molar comum, assim como anatomia completamente irregular.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Colunista Portal - Saúde

por Colunista Portal - Saúde

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