Fisioterapia em Queimaduras Pediátricas: Uma Visão Geral

Fisioterapia

10/01/2013

Dados Epidemiológicos
As queimaduras, sejam por causa química, por atrito, por inalação, por causa elétrica, radiação ou por agentes biológicos figuram entre as maiores cusas de acidentes e internação no Brasil. Destes, 2/3 dos acidentes ocorrem dentro do ambiente domiciliar. E quando se fala em ambiente domiciliar, tem de se lembrar que as crianças são os mais vulnerávies nesse ambiente.

De fato, 58% das vítimas são crianças. Isso acontece, pelo descuidado dos pais ou ainda pelo trabalho doméstico infantil, onde as crianças são cda vez mais precoce inseridas em grandes tarefas domiciliares, entre elas a de cozinhar. Então a situação propícia para um acidente por queimadura está montado. Assim, o principal agente causal é líquido/alimento super aquecido. As crianças em idade inferior a 14 anos são vítimas frequentes de queimaduras e de escaldos.

Classificação

Regra dos Nove Classifica a área queimada em extensões de múltiplos de 9, sendo que maiores áreas repercutem com uma porcentagem maior. Por Exemplo, na criança a cabeça corresponde a 9 %, mas em crianças até 1 ano 14% e em Crianças acima de 5 anos 18%;

Regra do Lund-Browder - Relaciona a idade com a região do corpo para calcular a porcentagem queimada.

Lesões Inalatórias
As lesões inalatórias podem ser em decorrência de produtos químicos ou da própria fumaça ou vapor inalados. Devido ao grande aumento do uso de AA líquida pressurizada utilizada na agricultura e na indústria, tem aumentado à exposição acidental e consequente inalação do gás . As lesões produzidas por produtos químicos cáusticos, ácidos e álcalis, mais comumente encontradas, são as causadas pelos ácidos, fluorídrico e fórmico, amônia anidra, cimento e fenol. Outros agentes químicos específicos que podem causar queimaduras são: fósforos, nitratos, hidrocarbonetos e piche.

A intoxicação por AA ocorre após exposição acidental durante a fabricação de fertilizantes, fibra têxtil, couro, plástico, pesticidas e explosivos. Acontece, também, durante as instalações de refrigeradores, onde é bastante usada.


Sinais Clínicos e Sintomas

Além da história de exposição à fumaça em ambiente fechado, vários sinais e sintomas devem levar à suspeita clínica de lesão inalatória. Dentre os sinais mais frequentes destacam-se: queimadura de face, vibrissas chamuscadas, escarro com fuligem ou abundante, conjuntivite, desorientação, coma, estridor laríngeo e desconforto respiratório. Os sintomas podem incluir, ainda, tosse produtiva, rouquidão, dispneia, sibilos e lacrimejamento. A busca por intoxicações relacionadas à lesão inalatória tem maior importância quando existe o acometimento do sistema nervoso central. Sempre que possível, devem ser pesquisados marcadores sanguíneos ou urinários.

No caso do CO, níveis de carboxi hemoglobina podem ser dosados, caracterizando a intoxicação. Nas situações em que o diagnóstico não possa ser realizado por meio de marcadores, institui-se tratamento presuntivo baseando-se na suspeita clínica. Os sinais de lesão inalatória são a presença de edema ou eritema, ulcerações nas vias aéreas inferiores ou ainda presença de fuligem em ramificações distais. A ausência destes sinais, porém, deve sempre ser analisada tendo-se em vista o estado hemodinâmico do paciente, uma vez que pacientes ainda não ressuscitados volemicamente podem não apresentar áreas de eritema ou edema visíveis ao exame broncoscópico inicial. Com essa ressalva, a broncoscopia tem aproximadamente 100% de acurácia no diagnóstico de lesão inalatória. Deve-se ressaltar, porém, que o exame das vias aéreas superiores não exclui a necessidade de avaliar as vias aéreas inferiores, já que o acometimento pode ocorrer independentemente.

Intervenção no Hospital

É frequente os casos de insuficiência respiratória em grandes queimados. Assim, a assistência Fisioterapêutica se concentra na função respiratória, tanto em manobras de expansão e desobstrução brônquicas como no manuseio do respirador mecânico O paciente pode ser intubado por tubo oro traqueal precoce e ventilação mecânica em modalidade ventilação por pressão controlada (PCV) em modo assistido controlado (A/C). Posteriormente, conforme a broncoscopia pode haver uma interrupção total na sedação e iniciação de desmame ventilatório progressivo, com decúbito dorsal elevado, alteração na modalidade de ventilação mecânica de PCV-A/C para pressão de suporte (PSV) e, de acordo com a necessidade do paciente, a redução dos parâmetros, realização do teste de respiração espontânea até ele ser completamente desmamado.

Ainda pode-se realizar, quando não necessária atuação respiratória, intervenção motora com ênfase nas desordens musculoesqueléticas ou de partes moles (encurtamentos, prevenção de queloides, cicatrizes hipertróficas, aderências. etc), de sensibilidade e controle motor com o fim de recuperação da funcionalidade. Já na assistência ambulatorial, segue-se com as mesmas condutas descritas acima e seguidas de orientações posturais, cuidados com higiene, e estímulo a continuação do tratamento. Assim, a Fisioterapia atuará com ênfase na recuperação funcional da criança queimada contribuindo para a retomada da função muscular, sensibilidade e, principalmente, a participação da criança no seu meio de vida.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Paulo Henrique Caetano de Sousa

por Paulo Henrique Caetano de Sousa

Acadêmico do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará e Bolsista do Programa de Iniciação à Docência pela Universidade Federal do Ceará, desempenhando atividades como Monitor do Módulo de Vivências em Fisioterapia I e II e Extensionista do Programa de Educação pelo Trabalho - Saúde(Pro- Pet- Saúde), desempenhando trabalho na área de Saúde Mental / Álcool e Drogas em Crianças e Adolescentes, Colunista do Portal Educação e Extensionista do Programa de Promoção da Saúde, desenvolvendo trabalhos com grupos de vulnerabilidade social. Membro do Grupo de Pesquisa de Promoção da Saúde do CNPQ

Portal Educação

UOL CURSOS TECNOLOGIA EDUCACIONAL LTDA, com sede na cidade de São Paulo, SP, na Alameda Barão de Limeira, 425, 7º andar - Santa Cecília CEP 01202-001 CNPJ: 17.543.049/0001-93