Os reflexos da educação na sociedade contemporânea
Educação é o processo contínuo de desenvolvimento
Concursos Públicos
17/04/2014
INTRODUÇÃO
No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A educação vai se desenvolvendo através de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.
O conceito de educação engloba o nível de cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e a sua capacidade de socialização.
No sentido técnico, a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo.
Educação (do latim educations) no sentido formal é todo o processo contínuo de formação e ensino aprendizagem que faz parte do currículo dos estabelecimentos oficializados de ensino, sejam eles públicos ou privados.
No Brasil, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases, a Educação – LDB divide-se em dois níveis, a educação básica e o ensino superior. A educação básica compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
No processo educativo em estabelecimentos de ensino, os conhecimentos e habilidades são transferidos para as crianças, jovens e adultos sempre com o objetivo de desenvolver o raciocínio dos alunos, ensinar a pensar sobre diferentes problemas, auxiliar no crescimento intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade.
2. EDUCAÇÃO NO BRASIL
Ao propor uma reflexão sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do século XX o processo de expansão da escolarização básica no país começou e que o seu crescimento, em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.
O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação).
Frente aos dados, muitos podem se tornar críticos e até se indagar com questões a respeito dos avanços, concluindo que “se a sociedade muda, a escola só poderia evoluir com ela!”. Talvez o bom senso sugerisse pensarmos dessa forma.
Entretanto, podemos notar que a evolução da sociedade, de certo modo, faz com que a escola se adapte para uma vida moderna, mas de maneira defensiva, tardia, sem garantir a elevação do nível da educação. Logo, agora não mais pelo bom senso e sim pelo costume, a “culpa” tenderia a cair sobre o profissional docente. Dessa forma, os professores se tornam alvos ou ficam no fogo cruzado de muitas esperanças sociais e políticas em crise nos dias atuais. As críticas externas ao sistema educacional cobram dos professores cada vez mais trabalho, como se a educação, sozinha, tivesse que resolver todos os problemas sociais.
Durkheim (1978) diz que uma vez que a educação é uma função essencialmente social, o Estado não pode se desinteressar dela. Pelo contrário, tudo o que é educação deve ser, em certa medida, submetido à sua ação. Isto não significa, no entanto, que ele deva necessariamente monopolizar o ensino. Pode-se pensar que os progressos escolares são mais simples e rápidos, quando certa margem de manobra é concedida às iniciativas individuais, pois o indivíduo é mais facilmente inovador do que o Estado. Porém, o fato de o Estado dever, em prol do interesse público, autorizar o funcionamento de outras escolas além daquelas sob sua responsabilidade direta não implica que ele permaneça indiferente ao que acontece dentro dessas instituições. A Educação que elas fornecem deve, pelo contrário, ficar submetida ao seu controle. Não é nem mesmo admissível que a função de educador seja desempenhada por alguém que não apresente garantias específicas que somente o Estado pode julgar. Não há escola que possa reivindicar o direito de dar com toda liberdade uma Educação antissocial. Já sabemos que não basta, como se pensou nos anos 1950 e 1960, dotar professores de livros e novos materiais pedagógicos.
O fato é que a qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos professores. Outro fato é que o que o professor pensa sobre o ensino determina o que o professor faz quando ensina. O desenvolvimento dos professores é uma precondição para o desenvolvimento da escola e, em geral, a experiência demonstra que os docentes são maus executores das ideias dos outros. Nenhuma reforma, inovação ou transformação – como queira chamar – perdura sem o docente. É preciso abandonar a crença de que as atitudes dos professores só se modificam na medida em que os docentes percebem resultados positivos na aprendizagem dos alunos.
Para uma mudança efetiva de crença e de atitude, caberia considerar os professores como sujeitos. Sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem. Enquanto isso, nós continuamos longe de atingir a meta de alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade e carregando o fardo de um baixo desempenho no IDEB. Com o índice de aprovação na média de 0 a 10, os estudantes brasileiros tiveram a pontuação de 4,6 em 2009. A meta do país é de chegar a 6 em 2022. 3. Diferença entre os ensinos público e privado no Brasil
A educação é considerada a principal garantia de conquista de liberdade e igualdade de oportunidades a todos os cidadãos, independentemente de sexo, etnia ou classe social. Mas a diferença entre a qualidade do ensino público e privado ainda é uma grande barreira para vencer a desigualdade.
Segundo o IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico, que mede a qualidade de ensino do país, existe grande desigualdade entre público e privado.
Nos estados do Nordeste as escolas particulares tem o dobro do índice de frequência das públicas, nos anos finais do Ensino Fundamental (8.ª série), acontecendo o mesmo para o Ensino Médio nos estados do Sudeste. O cenário da educação pública brasileira ajuda a expor as profundas diferenças sociais que marcam o país. A 6ª maior economia do mundo conta com 20 milhões de analfabetos. Dos alfabetizados, 32 milhões cursaram somente até a 4ª série e 60 milhões não concluíram o ensino fundamental, o que equivale a uma entre três pessoas. Tais índices resultam, em parte, da carência de vagas que atinge de creches a universidades e que restringe o acesso da população pobre ao ensino. Em função disso, apenas 35% das crianças até 5 anos recebem atendimento educacional e só 15% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados em um curso superior.
Os dados foram apresentados por Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação (FE) da USP, no seminário Educação, Enfrentamento das Desigualdades Sociais e da Pobreza — França, Brasil e Inglaterra, realizado no dia 27 de setembro de 2012, na FE, pelo Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza do IEA em parceria com a faculdade. Para ela, “Não estamos num país pobre, estamos num país desigual”, que, ainda defende a importância da educação no combate à pobreza, e sobre os desafios para a criação e execução de políticas públicas capazes de efetivar o direito constitucional à educação.
No PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que avalia o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, a cada três anos, em três áreas: leitura, matemática, e ciências, o Brasil ficou em 55.º lugar entre os 65 países avaliados. Na avaliação do ENEM o resultado em 2009 para o término do ensino médio aponta que entre as mil escolas que oferecem ensino médio regular, com melhor desempenho nas provas, 91% são da rede privada. Nessa lista, aparecem apenas 88 escolas públicas. Sessenta delas são federais, 26 estaduais e apenas duas municipais. Entre as estaduais e municipais, exceto duas, todas as outras são técnicas ou coordenadas por universidades. Dos mil piores, apenas três são privadas, sendo duas rurais. 4. A Escola como reflexo da sociedade
Segundo SANTOS (2014), “a escola é uma micro sociedade, e como consequência, carrega características do seu meio cultural (sociedade num todo). Isto é, com a sociedade imersa numa crise de valores - resultado direto do principal elo desestruturador que é o rompimento da família nuclear - pouco, ou quase nada, poderá ser feito com os estudantes gerados nesse meio. Com uma crise que ultrapassa os muros da escola, iniciando-se na base de todo o convívio social, estranho seria se a escola, que nada mais é do que uma parcela dessa sociedade, não adquirisse características hostis.
Sendo assim, avaliarmos a crise dentro da escola sem levarmos em conta seu aspecto macro, não contribui para que tenhamos suporte teórico que ultrapasse o superficialismo analítico. Propor melhorias dentro das escolas, descartando a maior parte fracionária, não será o bastante para que não vejamos mais os diversos crimes, desrespeitos e outras atrocidades”. Na visão do autor acima, a questão da violência nas escolas, atualmente, passa por uma crise de valores, mas principalmente por conflitos que nascem no âmbito familiar.
A desestruturação da família moderna e de seus valores de crucial importância na formação do indivíduo, inclusive as bases morais são falhas, conforme afirma Durkheim (1978), “a violência é um subproduto social decorrente de falhas no processo de socialização das pessoas e da ineficiência das instituições sociais modernas”.
Na sociedade atual, a família moderna legou à terceiros a educação de seus filhos. Desde muito cedo as crianças sãos deixadas em creches, maternais, jardins de infância, etc. Os pais modernos encontram-se sem tempo para educar seus filhos. Na verdade, a escola jamais poderá substituir essa função.
5. Educação à distância: uma nova realidade
O advento da internet criou um cenário totalmente novo para a educação. Atualmente, pode-se fazer um curso de educação à distância (EAD), praticamente nos mesmos moldes dos presenciais, assistindo, pela internet. As avaliações podem ser feitas em tempo real pela rede. A metodologia de ensino, assim como, a forma de avaliar a aprendizagem, passaram por uma revolução, pois a cada dia mais brasileiros se matriculam nessa nova modalidade de aprendizado. De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, a EAD, já apresenta percentual de 14,6% do total das matrículas na graduação. Em 2001 apenas 5359 estudantes estavam matriculados nos cursos à distância. Dez anos após, esse número aumentou 170 vezes. Segundo HIPÓLITO (2014), um dos grandes desafios da educação brasileira neste momento, está na expansão do ensino superior.
É neste sentido que a EAD pode dar uma importante contribuição, ampliando o potencial de acesso dos brasileiros à universidade, especialmente em estados e municípios com maior dificuldade de mobilidade para os estudantes.
Zelar pela qualidade do ensino e expandir a oferta de cursos à distância, são tarefas essenciais, para que o Brasil continue caminhando a passos largos para se tornar um país mais próspero e mais preparado para enfrentar os desafios do seu desenvolvimento. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora o Brasil tenha avançado no campo da educação nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social. Por outro lado, nosso país, ainda investe pouco na educação. As escolas públicas não correspondem às necessidades da nossa população, muito menos contribui para a formação qualificada de profissionais para atender ao mercado de trabalho.
As escolas privadas, em sua maioria, formadoras de bons profissionais são caras e blindadas economicamente, sendo inacessíveis à classe pobre. Vivemos num país continental, repleto de riquezas naturais, diversidade cultural e povo trabalhador, porém, com desigualdades econômicas enormes. Carece, na verdade, de interesse social e político para investir na educação, na cultura e na melhor qualidade de vida de nosso povo. A baixa formação profissional incide diretamente na qualificação do trabalhador, que desde cedo, se vê obrigado a trabalhar e interromper os estudos para contribuir com a renda familiar.
É, através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Nossa sociedade é o reflexo desta realidade. Se, na visão de Durkheim, “a construção do ser social passa pela educação é necessário acreditar, investir, oportunizar e qualificar, desde a 1ª infância e em todos os níveis para a formação do indivíduo, pois ele é o formador da sociedade e produto dela”.
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