Estudo sobre contaminação da água por agrotóxicos vai subsidiar mudanças na lei

Biologia

01/01/2008

Fernanda Marques

A água que abastece municípios de oito estados brasileiros e tem origem ou atravessa alguma área rural foi analisada por pesquisadores do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) da Fiocruz. Os objetivos eram avaliar o teor de contaminação por agrotóxicos e subsidiar mudanças na portaria da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que determina o controle de qualidade da água quanto à presença dessas substâncias. Coordenado pela farmacêutica Paula Sarcinelli, o trabalho foi desenvolvido em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, locais com grande atividade agrícola. Os resultados mostraram que os métodos de tratamento da água para consumo não eliminam totalmente os agrotóxicos. Pequenas quantidades dessas substâncias foram detectadas nas amostras de todos os estados.

 

Estação de Tratamento de Água Alto Cotia, em São Paulo (Foto: Sabesp)

Foram analisadas, em média, amostras coletadas em oito pontos ao longo dos rios que abastecem grandes cidades, como na nascente, na interseção com outros cursos d’água e antes e depois do tratamento. Os níveis de agrotóxicos encontrados na água após o tratamento, para o consumo humano, foram, na grande maioria das vezes, inferiores aos limites máximos hoje tolerados por organismos internacionais. “Mas, uma vez que os métodos de tratamento não eliminam os agrotóxicos, os níveis dessas substâncias na água podem aumentar ou diminuir de acordo com variáveis ambientais e econômicas. Por isso, é necessário um monitoramento contínuo da água”, alerta o toxicologista Jefferson Oliveira Silva, que participou da pesquisa.

No entanto, esse monitoramento contínuo da água enfrenta hoje uma dificuldade: os agrotóxicos constituem um grupo de mais de 200 substâncias diferentes e a única portaria nacional que trata da contaminação da água por esses compostos preconiza que todos eles sejam investigados em todos os estados. Como investigar mais de 200 substâncias diferentes é praticamente inviável, porque requer muito tempo e tem custo elevado, o resultado é que os laudos sobre a contaminação por agrotóxicos não são informativos.

“A solução seria que cada região, de acordo com sua vocação agrícola e, portanto, com os agrotóxicos que costumam ser usados, analisasse um grupo específico de substâncias”, recomenda Jefferson. Uma determinada plantação pode requerer o uso de herbicidas, mas não de fungicidas e inseticidas, por exemplo. “Com a exigência de analisar um número limitado de substâncias, a qualidade e a precisão dos laudos seriam melhores”, afirma o toxicologista.

Definir quais agrotóxicos são mais relevantes para cada estado e, conseqüentemente, devem ser alvo do controle de qualidade da água para consumo foi justamente o que fizeram os pesquisadores do Cesteh, com o apoio da Funasa e de parceiros locais, como companhias de abastecimento e secretarias de Meio Ambiente. Para selecionar os agrotóxicos que merecem mais atenção em cada estado os pesquisadores também conversaram com os agricultores, que informaram quais os principais produtos cultivados no local e quais as substâncias químicas mais comumente usadas naquelas plantações.

O cruzamento das informações com os resultados das análises das amostras de água permitiu que os pesquisadores do Cesteh selecionassem os cinco ou seis agrotóxicos específicos que devem ser monitorados rigorosa e continuamente na água que abastece cada estado. “Nosso relatório técnico vai subsidiar a Funasa para mudanças na legislação”, adianta Jefferson.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


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