Sustentabilidade ambiental: logística reversa e a reutilização de embalagens

LR.
LR.

Administração e Gestão

13/11/2015

Sustentabilidade ambiental: logística reversa e a reutilização de embalagens de defensivos agrícolas

1.1 OBJETO

Reutilização de embalagens de defensivos agrícolas na Empresa X.


1.2 FENÔMENO

Aplicação de conceitos de sustentabilidade ambiental referentes à aquisição/reutilização de embalagens de defensivos agrícolas na Empresa X.


1.3 ABRANGÊNCIA


Estudo de Caso na Empresa X.


2. PROBLEMA DE PESQUISA

Dentre os inúmeros problemas da sociedade moderna, a questão ambiental quanto ao problema do descarte dos resíduos sólidos se apresenta como um dos maiores promotores da expansão da poluição, visto que o consumo de produtos leva a um descarte elevado de embalagens e materiais que, muitas vezes, não se decompõem com facilidade, aumentando assim o acúmulo de resíduos sólidos nos aterros e, também, a maior proliferação de impactos ambientais, além de doenças resultantes da decomposição do mesmo.

Com a imposição feita na Constituição, a Política Ambiental ficou mais direcionada, e com vias a melhor preservar o meio ambiente; além da legislação específica para a proteção ambiental, representada, principalmente pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 - Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305 (BRASIL, 2010), considerando-se que, segundo Leme (2005), o meio ambiente é um dos bens mais importantes para o ser humano. Assim sendo, não se pode permitir que ninguém, de modo algum, o comprometa e, nesse sentido, as embalagens de defensivos agrícolas, quando descartadas inadequadamente no meio ambiente, contaminam o solo, podendo, inclusive, chegar aos mananciais e reservatórios de água que abastecem a população.
Mediante tal contexto, o problema da pesquisa é:

- Quais estratégias podem ser utilizadas pela Empresa X para a reutilização de embalagens de defensivos agrícolas?


3. OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICOS

- Pesquisar estratégias a serem ser utilizadas pela Empresa X para a reutilização de embalagens de defensivos agrícolas;

- Investigar a utilização de estratégias logísticas voltadas para os canais reversos;

- Apresentar proposta de estratégia de Logística Reversa com base na Teoria das Restrições.


4. ABORDAGEM TEÓRICA

4.1 QUADRO TEÓRICO-CONCEITUAL


Goto, Koga e Pereira (2006) definem logística reversa como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas e estoque de produtos em processo de reutilização e remanufaturados acabados, do ponto de consumo até o ponto de origem, objetivando recapturar valor ou realizar um descarte adequado.

Para Pereira et al (2012), a logística reversa possui associação direta com a questão ambiental e com o desenvolvimento sustentável, definindo-se como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado em contribuição para a preservação ambiental.

Leite (2003) relaciona os motivos estratégicos de empresas operarem os canais reversos: aumento de competitividade (65,2%); limpeza de canais (33,4%); respeito à legislação (28,9%); revalorização econômica (27,5%); recuperação de ativos (26,5%).

O autor também relaciona as oportunidades competitivas: ganhos de competitividade no retorno de produtos pós-venda; fidelização de clientes; imagem corporativa; imagem de prática de responsabilidade empresarial; competitividade de custos e de serviços ao cliente; competitividade de custos; ganhos de competitividade no retorno dos produtos de pós-consumo. Por trás do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo, que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.

Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso.

Do ponto de vista ambiental, essa é uma forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Essa abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos.

Nesse contexto, pode-se então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado.

O processo de logística reversa gera matérias reaproveitadas que retornam ao processo tradicional de suprimentos, produção e distribuição. Esse processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou de descarte.

Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependendo das condições em que estes entram no sistema de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver acordos nesse sentido; podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização; podem ser recondicionados, desde que haja justificativa econômica; podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação. Todas essas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto.

Dessa forma, segundo Leite (2003), a natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema. Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque, simplesmente, os clientes os retornam. O fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro. No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais que, por exemplo, podem impedir seu descarte no meio ambiente. Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são tão rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe a fatores econômicos.

Nesse contexto, a compreensão dos sistemas de produção é estrategicamente fundamental para o aumento da eficiência e a da eficácia da empresa. Assim, cada vez mais, as empresas brasileiras têm buscado incessantemente padrões mais elevados de produtividade, flexibilidade, qualidade e confiabilidade, visando eliminar (1) os chamados “gargalos” de produção, ou seja, uma determinada limitação de produção que é associada a uma restrição física ou (2) uma restrição não física, que é associada a aspectos gerenciais ou comportamentais da equipe de produção da empresa.

Assim, para a aplicação dos critérios de Logística Reversa, visando o aumento do retorno de embalagens de defensores agrícolas, a empresa X aplicará a estratégia vinculada à Teoria das Restrições que, segundo Goldratt (2002), é uma teoria baseada nas ações produtivas intentadas para aproximar a empresa de sua meta, qual seja a de reutilizar embalagens de defensivos agrícolas.

Para Goldratt (2002), a meta da produção é o ganho de dinheiro, sendo necessárias três medidas: Ganho: taxa na qual o sistema gera dinheiro através das vendas, já que não adianta produzir algo se as vendas não acontecerem; Inventário: é composto de todo o dinheiro que o sistema investiu na compra de coisas que são produzidas com a intenção de vender; e Despesa operacional: é o dinheiro que o sistema gasta para transformar inventário em ganho.

Segundo Goldratt (2002), tudo o que se gerencia em um ambiente de produção, uma fábrica, por exemplo, é abarcado por essas medidas, observando que qualquer empresa almeja que seu ganho aumente e que o inventário e a despesa operacional diminuam, controlando-se principalmente os estoques da produção.

Goldratt (2002) reforça que qualquer dinheiro que se perde é classificado como despesa operacional; por sua vez, qualquer investimento que se pode vender é inventário e, dessa forma, o custo de manutenção dos estoques é uma despesa operacional; o ganho é representado pelas vendas, bem como pela diminuição de despesa operacional, considerando-se a reutilização de embalagens, por exemplo.

A Teoria das Restrições é, portanto, uma ferramenta gerencial aplicada na identificação e solução de problemas (gargalos; restrições) em processos de produção e que considera em todo seu planejamento o cumprimento da principal meta das empresas: a geração sustentável de lucro (ganho) que, para Goldratt (2002), é a única meta que justifica a permanência de uma empresa no mercado, a partir da utilização de Processos de Raciocínio como método de solução de problemas: Árvore da Realidade Atual, Diagrama de Dispersão de Nuvem, Árvore da Realidade Futura, Árvore de Pré-requisitos e Árvore de Transição;

Relativamente aos processos de raciocínio, Giuntini et al (2010) ensinam que a Árvore da Realidade Atual é a ferramenta responsável pela elaboração do diagnóstico atual da empresa e cujo objetivo é a eliminação dos efeitos indesejáveis; o Diagrama de Dispersão da Nuvem tem o objetivo de minimizar as mudanças; a Árvore da Realidade Futura representa um planejamento presente em relação a uma data futura; a Árvore de Pré-requisitos objetiva a identificação dos obstáculos e soluções, além das condições mínimas para que a meta seja atingida; por fim, a Árvore de Transição representa a configuração do passo a passo de todo o processo de mudança em prol dos resultados esperados. 5. METODOLOGIA

5.1 MÉTODO E PROCEDIMENTO


Como procedimento metodológico, o estudo terá como base a pesquisa bibliográfica que, segundo Oliveira (2010), é importante por ser um método que implica na seleção, leitura e análise de textos relevantes ao estudo e tem por base fundamentos que determinam os passos e o caminho a ser percorrido na pesquisa, assim como exige reflexão constante e controle de variáveis, checando-se informações em relação ao conhecimento já adquirido.

Segundo Oliveira (2010), na realização da pesquisa bibliográfica é importante que o pesquisador faça um levantamento dos temas e tipos de abordagens já trabalhadas por outros teóricos, assimilando os conceitos e explorando os aspectos já publicados.

A pesquisa será complementada por pesquisa de campo aplicada a uma empresa (Empresa X) produtora de defensivos agrícolas.


5.2 QUESTIONÁRIO


1- Como ocorre a oportunidade de vantagem competitiva para a empresa a partir da Logística Reversa?

2- De que forma a implementação de estratégias logísticas voltadas para os canais reversos permite à empresa uma visão sistêmica e competitiva de sua estratégia empresarial perante os consumidores finais?

3- De que forma a logística reversa é associada à preservação do meio ambiente?

4- Que papel exerce a legislação ambiental (Política Nacional de Resíduos Sólidos) no processo de logística reversa da empresa?

5- Qual é o processo logístico reverso utilizado pela empresa? 6. RESULTADO ESPERADOS

Apresentação de estratégias a ser utilizada pela Empresa X para a reutilização de embalagens de defensivos agrícolas.


7. REFERÊNCIAS

GOTO, André Kenreo; KOGA, Eduardo Koiti; PEREIRA, Raquel da Silva. Logística Reversa: um estudo de caso em indústria automobilística. IX Simpósio da Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais – SIMPOI, 2006.

GIUNTINI, Norberto; DI GIORGI, Wanny Arantes Bongiovanni; PIZOLATO, Célia de Lima; XAVIER, José Sant’anna. Teoria das Restrições: uma nova forma de “ver e pensar” o gerenciamento empresarial. Federação Internacional de Contadores, 2010.

GOLDRATT, Eliyahu M.; COX, Jeff. A Meta: um processo de melhoria contínua. São Paulo: Nobel, 2002.

LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São: Paulo: Prenitice Hall, 2003.

LEME Machado, Paulo Afonso, Direito Ambiental Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Malheiros, 2005.

OLIVEIRA, S. L. Tratado de metodologia científica. São Paulo: Pioneira, 2010.

PEREIRA, André Luiz; BOECHAT, Cláudio Bruzzi; TADEU, Hugo Ferreira Braga; SILVA, Jersone Tasso Moreira; CAMPOS, Paulo Március Silva. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Petrus Fabiano Araujo de Oliveira

por Petrus Fabiano Araujo de Oliveira

Petrus Fabiano Araújo de Oliveira, Solteiro, Brasileiro e Paraense. Endereço: TV.: 3 de Maio, n.º 1147 - Bairro São Brás CEP: 66063 - 388 Belém- Pará E-mail: petrusoliveira270@gmail.com FORMAÇÃO: 1.MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO-UNAMA 2015-ATUAL; 2.ESPECIALIZAÇÃO EM GERÊNCIA CONTÁBIL-IBPEX-2008-2009; 3.ENSINO SUPERIOR EM CONTABILIDADE-UNAMA-2004-2008.

Portal Educação

UOL CURSOS TECNOLOGIA EDUCACIONAL LTDA, com sede na cidade de São Paulo, SP, na Alameda Barão de Limeira, 425, 7º andar - Santa Cecília CEP 01202-001 CNPJ: 17.543.049/0001-93